No mundo dos meios de comunicação africanos, há nomes que se destacam pela sua capacidade de estabelecer ligações além fronteiras. Mame Dorine Gueye é um deles. Profissional dos meios de comunicação social há duas décadas, ela encarna esta nova geração de líderes que já não se contentam com a simples divulgação de informações, mas que estão empenhados em construir um legado visual e narrativo para o continente..
Uma carreira forjada pelo domínio técnico
No entanto, nada predestinava Dorine para uma carreira no topo do cartaz audiovisual. Depois de ter concluído uma licenciatura em Línguas Estrangeiras Aplicadas em Orleães, sentiu necessidade de mudar de carreira, pois não tinha uma vocação clara durante os seus anos de ensino secundário no Senegal.. Foi durante uma estadia em Londres que se deu o estalo: encorajada pelo cunhado, enveredou pelo jornalismo, antes de se dedicar a uma formação mais versátil em técnicas de produção de vídeo.
Esta escolha estratégica faz dela uma verdadeira “condutora” da imagem. Como diretora de produção, aprende a controlar toda a cadeia: da conceção do orçamento à produção técnica, passando pela emissão final.. Esta experiência abriu-lhe as portas de algumas das maiores redacções, incluindo a TFM no Senegal, antes de se juntar ao grupo Canal+ em 2014 para lançar o canal pan-africano A+..
O nascimento de um médium empenhado
Durante os seus anos como diretora de programas da A+ Afrique e da A+ Ivoire, Dorine viajou pelo continente, encontrando-se com criadores, empresários e intelectuais.. Foi aqui que nasceu uma frustração: a de não poder oferecer uma plataforma a todo este talento, por falta de espaço ou de orçamentos publicitários acessíveis..
Em 2022, deu o salto e lançou o seu próprio meio de comunicação, apoiado pela revista Étoile Africaine. Embora a aventura tenha começado na frente digital com um canal no YouTube e uma webmagazine, Dorine rapidamente contrariou a tendência lançando uma versão impressa.. “Ainda temos necessidade de nos tocar, de ver a nossa imagem gravada num suporte”, explica, sublinhando que a realidade africana continua profundamente ligada ao objeto físico e ao prestígio da impressão..
Uma ponte entre culturas e gerações
A política editorial de Dorine é clara: acima de tudo, centra-se nas pessoas e nas suas vidas.. A sua revista bimestral não se limita à África francófona. A sua ambição é incluir secções anglófonas e já estabeleceu fortes parcerias com a diáspora, nomeadamente através de uma associação senegalesa-guadalupeana para dar a conhecer os talentos das Antilhas Francesas..
Para além de editora, Dorine é uma ativista de base. Vice-presidente da secção senegalesa da Rede de Mulheres Líderes Africanas, está empenhada na liderança das mulheres e em grandes causas sociais, como a higiene menstrual e a luta contra o VIH.. Para ela, o sucesso de uma mulher é uma força motriz para toda a sua comunidade..
Uma visão prospetiva
Atualmente, com mais de 22 publicações no seu currículo, Étoile Africaine tornou-se uma marca de qualidade, disponível em aeroportos e livrarias do Mali à Costa do Marfim, passando por Paris.. Étoile Africaine não se limita a contar histórias; organiza conferências, como a série “Língua”, e acompanha grandes eventos como o Salon des industries africaines..
Ao descobrir estes “talentos invisíveis” que não fazem necessariamente as manchetes dos jornais tradicionais, Mame Dorine Gueye estabeleceu-se como um ator importante na comunicação africana.. O seu segredo? Transformando cada entrevista numa ligação humana duradoura, provando que, na era totalmente digital, a proximidade e a autenticidade continuam a ser as melhores estratégias para chegar até nós..
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