Adama Paris: “A moda que promovo é multicultural, não apenas geográfica”.
Quando se atravessa o limiar da Saargale, a sua concept store parisiense a dois passos da Bastilha, não se está apenas a entrar numa boutique. Entramos no mundo de Adama Paris, uma mulher para quem a moda é um instrumento de poder, de identidade e de negócio. Em 2020, em conversa com Ramata Diallo, a estilista apresentou uma visão intransigente. Cinco anos mais tarde, a edição 2025 da Semana da Moda de Dakar confirma cada uma das suas intuições.
O segredo do sucesso
Quando questionada sobre o seu percurso profissional, Adama Paris rejeita a ideia de uma receita milagrosa. Para ela, o sucesso é uma equação simples mas exigente: Paixão + Organização + Formação.
“O modelo de saber fazer apenas uma coisa está obsoleto. Hoje em dia, é preciso ser multitarefa.
A mulher que aprendeu “no trabalho” insistiu, em 2020, na necessidade de formação contínua. Em 2025, esta visão tornou-se realidade com a crescente profissionalização da indústria da moda no Senegal, onde já não se fala apenas de “design”, mas de “cadeia de abastecimento” e “estratégia digital”.
Recusa de uma definição simplista
O objetivo principal do trabalho de Ramata é definir a moda africana. Mas para Adama, o exercício é perigoso. Porquê tentar confinar criações tão diversas a uma única definição?
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A armadilha do folclore: Adama alerta para as definições ocidentais que reduzem a moda continental ao “tradicional”.
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Moda multicultural: “A minha moda não é definida por uma única cultura. É a moda de amanhã.
Semana da Moda de Dakar 2025
Se Adama Paris falou de “estruturação” em 2020, a edição de 2025 da Semana da Moda de Dakar atingiu um novo marco. Já não se contenta apenas em mostrar roupas, mas estabeleceu um novo padrão global. Os visuais do desfile foram particularmente impressionantes, com uma passerelle em forma de travessia oceânica da ilha de Ngor até Dakar.
África como força motriz da moda circular
Em 2025, o evento centrou-se na soberania têxtil, com os designers a utilizarem fibras locais transformadas (algodão orgânico, fibras de ráfia, corantes naturais) através de unidades de produção semi-industriais sediadas no continente.
O triunfo do digital-first
Em consonância com o espírito “multitarefa” defendido pela Adama, a edição de 2025 incorporou showrooms virtuais e sistemas “See Now, Buy Now”, permitindo que compradores de todo o mundo encomendem peças em tempo real, quebrando definitivamente o isolamento geográfico.
Coesão diáspora-continente sem precedentes
A visão de Adama de 2020, de sinergia entre a diáspora e os locais, tornou-se a força motriz de 2025. As colaborações entre designers sediados em Paris, Nova Iorque e Dakar já não são excepções, mas sim o coração pulsante de uma indústria que está agora a gerar números de vendas sólidos e quantificáveis.
Para além das passarelas de 2025, a entrevista de 2020 recorda-nos que nada se constrói sem uma vontade férrea. Adama Paris transformou o seu sonho num império que sustenta centenas de pessoas. Em 2025, a moda africana já não é uma “tendência”, mas sim um pilar económico formal, orgulhoso das suas raízes e resolutamente orientado para o futuro global.




