O papel do diretor artístico é muitas vezes envolto em mistério ou reduzido a uma simples procura de atração estética. No entanto, como nos explicou Fadil Alidou durante o nosso intercâmbio em Cotonou, a direção artística é, acima de tudo, uma questão de estratégia, identidade e psicologia.
Um caminho autodidata forjado pela repetição
Fadil não veio das escolas de moda tradicionais. Construiu os seus conhecimentos no terreno, de forma autodidata, através da observação e da perseverança. Para ele, a chave para a mestria reside num conceito simples mas poderoso: a repetição.
“É através da repetição que se constrói uma reputação. Cada projeto é uma oportunidade para aperfeiçoar o seu olhar e endurecer o seu método de trabalho.”
Esta abordagem rigorosa permite-lhe contornar a falta de um diploma académico para oferecer uma qualidade de trabalho que rivaliza com os mais elevados padrões internacionais. A sua forma de trabalhar não deixa nada ao acaso; cada etapa, desde a conceção até à entrega final, é ditada por um desejo de perfeição.
O que é a direção artística de uma marca?
Um dos pontos centrais da entrevista é a própria definição de AD. Fadil explica que, para muitos designers que estão a começar, a ligação entre a criação pura e o potencial consumidor é por vezes ténue. O papel do diretor artístico é construir essa ponte.
- Identidade visual: Criar um universo coerente que se dirija instantaneamente ao público-alvo.
- Storytelling: contar uma história que vai para além do simples vestuário para tocar as emoções das pessoas.
- Alinhamento estratégico: garantir que cada imagem de campanha serve a ambição de crescimento da marca.
Para Fadil, a publicidade não se trata apenas de “fazer fotografias bonitas”, mas sim de garantir que a imagem reflecte a alma da marca e é desejável para o mercado.
O desafio da reinvenção
Trabalhar para uma marca estabelecida não é o mesmo que lançar um novo projeto. Fadil evoca com precisão a complexidade da gestão de marcas com um passado glorioso mas que precisam de se modernizar.
“As necessidades mudam, os consumidores evoluem. Por vezes, as conversas são complicadas porque é preciso abalar os códigos estabelecidos, mantendo-se fiel ao ADN da marca. É um exercício de diplomacia criativa.”
Por outro lado, trabalhar numa “página em branco” oferece total liberdade, mas exige um desafio de construção de identidade muito maior desde o início.
Uma visão para o futuro da moda no continente
Através das fotografias da sua campanha e dos seus projectos futuros, Fadil Alidou mostra um caminho claro: o da profissionalização. Ao destacar perfis como o seu, o Africa Fashion Tour pretende mostrar que o desenvolvimento da moda no continente depende de competências de ponta em cada subsector.
O trabalho de Fadil não se limita à moda, mas estende-se a qualquer mundo onde a imagem é rei. A sua capacidade de visualizar o invisível e de estruturar a criatividade fazem dele um aliado estratégico para qualquer marca que procure a excelência.
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- Fatou Tayinah Sall, fundadora de Mythe People e Mythe Brand
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