A estratégia de Ramata Diallo
A carreira de Ramata Diallo é uma escalada metódica. Nascida em Paris, de origem guineense, percorreu as fileiras da indústria têxtil francesa, desde a loja Kiabi até à gestão de colecções de grande consumo para o grupo Vivarté (La Halle) e Jennifer. Atualmente consultora, professora e empresária dos meios de comunicação social, coloca esta dupla cultura – ocidental e africana – ao serviço das marcas do futuro.
O património do comércio a retalho
Antes de aconselhar designers, Ramata passou dez anos a gerir volumes industriais. Esta experiência ensinou-lhe uma lição crucial: a moda é um negócio de constante resolução de problemas.
“Se não nos sentimos à vontade com a mudança e com a gestão de imprevistos, não devemos estar na moda. Nunca é linear.”
Salienta que o sucesso dos anos 80 e 90, baseado na produção em massa, pertence ao passado. Os consumidores actuais são mais exigentes, arbitram os seus gastos e procuram uma experiência de compra, como o modelo proposto por marcas como a Cézanne.
[Imagem de uma oficina de confeção moderna, que combina artesanato e tecnologia].
O “Manual” da Christian Dior
Para Ramata, os ingredientes do sucesso não mudaram desde 1947. Utiliza o exemplo de Christian Dior para definir os cinco pilares de uma marca forte:
- Credibilidade: ter talento e experiência reconhecidos antes de começar.
- Financiamento: encontrar os fundos (como a Dior com Marcel Boussac) para apoiar a ambição.
- A rede e os influenciadores: apoiar-se nos líderes de opinião (imprensa, celebridades) para criar atractivos.
- Internacionalização: pensar global desde o início, para não ficar dependente de um único mercado.
- Diversificação: integração rápida de acessórios ou fragrâncias para consolidar a imagem da marca.
Desconstruir o mito do sucesso instantâneo
Um dos pontos altos da entrevista é o alerta para a “ingenuidade” das redes sociais. Ramata lembra que não se pode lançar uma marca com 2.000 euros.
- Realidade financeira: é necessário fazer um orçamento para a logística, a embalagem, o sítio de comércio eletrónico e os imprevistos.
- Tempo: o sucesso não é alcançado de um dia para o outro. Por detrás de campanhas de crowdfunding bem sucedidas estão muitas vezes meses de “Construir em público” e de preparação da comunidade.
A revolução Made in Africa
Atualmente, o que motiva Ramata é provar que o desempenho empresarial e a ética podem andar de mãos dadas. Cita frequentemente a marca Tongoro de Dakar como um modelo de excelência.
“Os modelos de negócio Made in Africa ajudam a perspetivar a forma como fazemos moda. Cultivam a escassez, o serviço personalizado e a gestão inteligente dos recursos.”
No continente, a relação com a peça de vestuário é diferente: a peça é retocada, ajustada e o cliente é conhecido. É esta qualidade e proximidade, próxima do luxo tradicional, que deve inspirar as marcas internacionais.
[Imagem de um design de moda africano contemporâneo com estampados locais].
A comunidade como único verdadeiro canal de aquisição
Quer se trate do TikTok para a viralidade ou do Instagram para imagens polidas, Ramata é inflexível quanto ao facto de a marca ter de criar uma ligação direta.
- Autenticidade: os consumidores detectam imediatamente a falta de sinceridade.
- Co-construção: utilize canais privados (DMs, grupos fechados) para perguntar à sua base de clientes sobre futuras cores ou formas para a coleção.
O conselho do especialista
Para Ramata Diallo, o empresário de moda ideal deve identificar a sua “zona de génio” e delegar o resto, mantendo a curiosidade sobre cada profissão. A sua ambição? Fazer com que as histórias de sucesso africanas deixem de ser a exceção e sirvam de exemplo para a indústria mundial.
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