Lançamento de uma marca de moda em 2026

A estratégia de Ramata Diallo A carreira de Ramata Diallo é uma escalada metódica. Nascida em Paris, de origem guineense, percorreu as fileiras da indústria têxtil francesa, desde a loja Kiabi até à gestão de colecções de grande consumo para o grupo Vivarté (La Halle) e Jennifer. Atualmente consultora, professora e empresária dos meios de […]
Ramata Diallo fondatrice d'Africa Fashion Tour


A estratégia de Ramata Diallo

A carreira de Ramata Diallo é uma escalada metódica. Nascida em Paris, de origem guineense, percorreu as fileiras da indústria têxtil francesa, desde a loja Kiabi até à gestão de colecções de grande consumo para o grupo Vivarté (La Halle) e Jennifer. Atualmente consultora, professora e empresária dos meios de comunicação social, coloca esta dupla cultura – ocidental e africana – ao serviço das marcas do futuro.

O património do comércio a retalho

Antes de aconselhar designers, Ramata passou dez anos a gerir volumes industriais. Esta experiência ensinou-lhe uma lição crucial: a moda é um negócio de constante resolução de problemas.

“Se não nos sentimos à vontade com a mudança e com a gestão de imprevistos, não devemos estar na moda. Nunca é linear.”

Salienta que o sucesso dos anos 80 e 90, baseado na produção em massa, pertence ao passado. Os consumidores actuais são mais exigentes, arbitram os seus gastos e procuram uma experiência de compra, como o modelo proposto por marcas como a Cézanne.

[Imagem de uma oficina de confeção moderna, que combina artesanato e tecnologia].

O “Manual” da Christian Dior

Para Ramata, os ingredientes do sucesso não mudaram desde 1947. Utiliza o exemplo de Christian Dior para definir os cinco pilares de uma marca forte:

  1. Credibilidade: ter talento e experiência reconhecidos antes de começar.
  2. Financiamento: encontrar os fundos (como a Dior com Marcel Boussac) para apoiar a ambição.
  3. A rede e os influenciadores: apoiar-se nos líderes de opinião (imprensa, celebridades) para criar atractivos.
  4. Internacionalização: pensar global desde o início, para não ficar dependente de um único mercado.
  5. Diversificação: integração rápida de acessórios ou fragrâncias para consolidar a imagem da marca.

Desconstruir o mito do sucesso instantâneo

Um dos pontos altos da entrevista é o alerta para a “ingenuidade” das redes sociais. Ramata lembra que não se pode lançar uma marca com 2.000 euros.

  • Realidade financeira: é necessário fazer um orçamento para a logística, a embalagem, o sítio de comércio eletrónico e os imprevistos.
  • Tempo: o sucesso não é alcançado de um dia para o outro. Por detrás de campanhas de crowdfunding bem sucedidas estão muitas vezes meses de “Construir em público” e de preparação da comunidade.

A revolução Made in Africa

Atualmente, o que motiva Ramata é provar que o desempenho empresarial e a ética podem andar de mãos dadas. Cita frequentemente a marca Tongoro de Dakar como um modelo de excelência.

“Os modelos de negócio Made in Africa ajudam a perspetivar a forma como fazemos moda. Cultivam a escassez, o serviço personalizado e a gestão inteligente dos recursos.”

No continente, a relação com a peça de vestuário é diferente: a peça é retocada, ajustada e o cliente é conhecido. É esta qualidade e proximidade, próxima do luxo tradicional, que deve inspirar as marcas internacionais.

[Imagem de um design de moda africano contemporâneo com estampados locais].

A comunidade como único verdadeiro canal de aquisição

Quer se trate do TikTok para a viralidade ou do Instagram para imagens polidas, Ramata é inflexível quanto ao facto de a marca ter de criar uma ligação direta.

  • Autenticidade: os consumidores detectam imediatamente a falta de sinceridade.
  • Co-construção: utilize canais privados (DMs, grupos fechados) para perguntar à sua base de clientes sobre futuras cores ou formas para a coleção.

O conselho do especialista

Para Ramata Diallo, o empresário de moda ideal deve identificar a sua “zona de génio” e delegar o resto, mantendo a curiosidade sobre cada profissão. A sua ambição? Fazer com que as histórias de sucesso africanas deixem de ser a exceção e sirvam de exemplo para a indústria mundial.


Ler também

Partilhar o artigo

Des histoires de mode africaine

Chaque épisode est une invitation à voyager en Afrique. Dans un monde où les algorithmes ont tendance à réduire la variété des contenus diffusés, Africa Fashion Tour veut amplifier la voix des créatifs  du continent africian. L’ambition de ce podcast est aussi de déconstruire les à priori sur la mode africaine qui ne saurait se limiter aux clichés du wax et du boubou.
Ces interviews sont des opportunités pour comprendre l’écosystème de la mode africaine et appréhender les challenges rencontrés par les professionnels du secteur. Nos petits gestes à fort impact pour donner de la force, abonnez vous, laissez un avis et partager votre épisode préféré.