Mad House, o cabaz de alta costura malgaxe

Da joalharia de luxo em Marselha aos ateliers de croché em Antananarivo, a carreira de Laetitia Joly é uma ode aos padrões elevados e às viagens. Co-fundadora da Mad House, ela dá um sopro de modernidade ao cesto tradicional de Madagáscar, transformando-o num objeto de desejo internacional.
Laetitia Joly Mad House


Das exigências da Place Vendôme às oficinas de croché de Antananarivo, Laetitia Joly, co-fundadora da Mad House, está a redefinir os contornos dos acessórios de ráfia. Do artesanato ancestral a um modelo de negócio moderno e a uma tecnologia ousada, conheça uma empresária que está a levar Madagáscar muito para além dos clichés.

O olho do luxo, o coração de Madagáscar

Nada predestinava Laetitia Joly, antiga empregada da prestigiada casa de moda Van Cleef & Arpels, a tornar-se embaixadora da ráfia de Madagáscar. E, no entanto, depois de dez anos a trabalhar em marketing de luxo entre Paris e Hong Kong, foi na “Ilha Grande” que algo fez clique.

Expatriada em Madagáscar, descobriu uma matéria-prima infinitamente rica e uma habilidade manual transmitida de geração em geração: o croché. Mas também viu uma oportunidade perdida: “Vi marcas europeias a desenvolverem as suas malas aqui sem necessariamente promoverem a história do local ou o ADN de Madagáscar”, confessa a Ramata Diallo. Com as suas duas sócias, Jessica e Diane, decidiu criar a Mad House, um nome que presta homenagem a Madagáscar) e uma promessa de criatividade arrojada.

Casa louca

O desafio da desejabilidade

No sector Made in Africa, a armadilha da retórica puramente humanitária é comum. A Mad House adopta a abordagem oposta. Aqui, não vendemos “para ajudar”, vendemos porque é bonito. A marca destina-se a mulheres activas, empresárias e mães, que procuram uma mala prática mas sofisticada.

“Não queríamos que as pessoas tivessem empatia com a nossa marca. Queríamos que a cliente dissesse para si própria: ‘Quero esta mala porque é linda’, e não para fazer uma boa ação.” – Laetitia Joly.

Este compromisso reflecte-se em acabamentos dignos dos melhores artesãos de couro: forros meticulosos, bordados intrincados e detalhes em couro. O resultado? Um posicionamento “Premium Plus” que até os habitantes de Madagáscar, especialistas na matéria, consideram atraente. É uma coroação para o trio de fundadores.

O preço de uma peça Mad House varia entre 140 euros para uma mala de mão e mais de 700 euros para os modelos mais ricamente bordados. Um preço justo que reflecte semanas de trabalho manual e um desejo feroz de promover o artesanato malgaxe no seu verdadeiro valor.

Uma organização híbrida e ágil

A Mad House é também um reflexo do empreendedorismo moderno. Com uma equipa dividida entre Marselha, Madagáscar e Canadá, a marca faz malabarismos com os fusos horários.

  • Produção local: O coração bate em Madagáscar, onde Jessica supervisiona as oficinas parceiras, garantindo uma ética de trabalho e uma qualidade impecável.

  • Marketing nómada: Em Marselha, Laetitia gere a comunicação e a distribuição, fazendo a ponte entre o Oceano Índico e o Mediterrâneo.

Esta agilidade estende-se à sua estratégia de conteúdos. Para compensar os orçamentos de marketing colossais dos gigantes do luxo, Laetitia formou-se emInteligência Artificial. Ao gerar determinados visuais de campanha com recurso à IA, a marca consegue controlar a sua direção artística com precisão cirúrgica, mantendo-se eco-responsável e poupando na logística.

Cesto Mad House

O único horizonte é a viagem

Atualmente, a Mad House já não vende apenas malas, vende uma experiência de viagem. Presente em Saint-Tropez, Saint-Jean-de-Luz e em hotéis de luxo como o Miavana, em Madagáscar, a marca dirige-se a locais onde os clientes aproveitam para viver a vida.

O que é que o futuro nos reserva? Está escrito em raridade e exclusividade. Longe da produção em massa, a Mad House continua a cultivar a sua identidade de “cesto de viagem”, com a ambição de se tornar um must-have em terras ensolaradas.


Ler também

Partilhar o artigo

Des histoires de mode africaine

Chaque épisode est une invitation à voyager en Afrique. Dans un monde où les algorithmes ont tendance à réduire la variété des contenus diffusés, Africa Fashion Tour veut amplifier la voix des créatifs  du continent africian. L’ambition de ce podcast est aussi de déconstruire les à priori sur la mode africaine qui ne saurait se limiter aux clichés du wax et du boubou.
Ces interviews sont des opportunités pour comprendre l’écosystème de la mode africaine et appréhender les challenges rencontrés par les professionnels du secteur. Nos petits gestes à fort impact pour donner de la force, abonnez vous, laissez un avis et partager votre épisode préféré.