Quando a arte e a arquitetura redefinem a moda marroquina
A carreira de Mouad Ladraa, arquiteto de interiores de formação e designer de moda, é marcada por uma abordagem concetual e um desejo de experimentar. Sediado em Casablanca, o fundador da marca Ladraa posiciona-se no cruzamento de disciplinas, vendo a moda como uma extensão natural da arquitetura, a arte de envolver um corpo no espaço.
Da arte visual ao vestuário
A carreira de Mouad Ladraa é decididamente híbrida. Depois de ter estudado artes aplicadas e de se ter diplomado em design de interiores na Escola de Design e Artes Visuais de Casablanca, trabalhou numa vasta gama de projectos, desde o Grand Théâtre de Casablanca até à montagem de exposições.
É esta experiência do volume e do espaço que alimenta a sua visão da moda. Lançada em 2015, a sua marca nasceu da vontade de exprimir essa “criança interior”, antes de se estruturar em torno de uma linha criativa única: a desconstrução e reconstrução de formas para criar peças que envolvem o corpo de uma nova forma.
Ladraa dirige-se a uma clientela sensível à história e às formas autênticas, e que não confia em cortes vulgares. A clientela atual é mais internacional do que local.
Tradição, reciclagem e evolução
No centro da filosofia de Ladraa está uma mistura dinâmica de tradição e modernidade, artesanato e experimentação. Para o designer, cada peça deve contar “uma história entre a memória e a transformação da identidade”.
Explorar o saber-fazer marroquino
Mouad Ladraa está empenhado em desenvolver o vestuário marroquino sem alterar a sua essência tradicional. Estuda os códigos do passado, como o caftan ou a djellaba, para os tornar mais funcionais, modernos e universais.
Para tal, incorpora a riqueza das técnicas de costura marroquinas:
- Bordado tradicional: Utilização de técnicas como o bordado com fio de seda e agulha para montar cortes e peças.
- Materiais: Trabalho com seda, algodão cru e têxteis feitos à mão.
Compromisso com a reciclagem
A reciclagem é um pilar da marca. Ladraa utiliza formas desconstruídas a partir de desperdícios e tecidos não utilizados, que retrabalha e volta a colar para criar peças únicas.
Um projeto notável é a reciclagem de fios de seda: os stocks não utilizados pelos artesãos são recolhidos para serem transformados em técnicas como o croché, o macramé ou a tecelagem, combatendo assim o desperdício.
A arte como palco
Para Mouad Ladraa, o digital é uma ferramenta essencial para contar histórias visuais. A marca privilegia o Instagram pela sua fluidez criativa, utilizando a plataforma para contar o mundo, as inspirações e a intenção por detrás de cada peça, criando uma ligação com uma comunidade fiel e empenhada.
O criador encara a apresentação das colecções não como um simples desfile em passerelle, mas como um espetáculo performativo que liga a moda à arte. Esta visão levou-o a colaborar com artistas como o duo Aïta Mon Amour, para o qual vestiu a cantora Ouidad, como parte de uma evolução mútua da arte e da tradição.
Após um intenso período de estruturação, a marca prepara-se para dar um novo e importante passo: preparar uma coleção para a Semana da Moda de Londres em 2026. Um desafio logístico e criativo que confirma a ambição de Mouad Ladraa de levar a essência da moda marroquina à cena mundial.
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