Desde 2017, Nadia Chellaoui tem sido bem-sucedida numa aposta ousada: reinventar a arte através da moda. Pintora de formação, não se limita a desenhar malas, esculpe emoções. A sua nova coleção outono-inverno 26/27, intitulada “Murmure”, marca uma mudança para artigos em pele ainda mais arquitectónicos e refinados.
A matéria como linguagem
Nesta coleção, o saco já não procura contar uma história: impõe a sua presença. Nadia Chellaoui explora os materiais como uma linguagem viva. Os volumes são simplificados, as linhas afirmam-se e cada pormenor torna-se um sinal de pontuação essencial.
- A coleção é escrita em duas fases:
- O diálogo: Peças em que o bordado é revelado através dos ilhós, a assinatura emblemática da Casa.
- Silêncio: Modelos livres de qualquer ornamentação, onde a pureza da linha é a única responsável pela história.
Uma paleta escultural
A paleta Murmure sublinha o carácter gráfico das silhuetas. Apresenta tonalidades profundas e estruturantes: borgonha magnético, preto intenso, taupe sofisticado e camel intemporal. Estas cores não são escolhidas ao acaso; reforçam o aspeto “objeto de arte” de cada criação.

Foco nas silhuetas emblemáticas: Liné’Ah e Kalli’Ah
Nesta estação, há dois modelos que chamam a atenção pela sua modernidade:
- Liné’Ah: Uma estrutura assertiva. Disponível nos tamanhos médio e XXL, este saco encarna a tendência da Maison para artigos de couro mais arquitectónicos. As suas linhas simples e o seu volume escultural fazem dela uma obra-prima, quer escolha a versão bordada “secreta” ou a versão silenciosa.
- Kalli’Ah: Puro grafismo. Disponível nos formatos baguete e mini baguete, Kalli’Ah é a linha mais gráfica da coleção. Alongada e reduzida ao essencial, a sua silhueta acompanha o movimento com absoluta discrição. É a própria essência do luxo urbano e silencioso.
Uma obra de arte para vestir
O que torna as criações de Nadia Chellaoui únicas é esta ponte permanente entre tradição e inovação. Cada bolsa é meticulosamente confeccionada à mão por artesãos marroquinos, garantindo um luxo autêntico.
Mais do que um simples acessório, a mala Nadia Chellaoui é uma “obra de arte que se pode vestir”. Quando se usa uma peça da coleção “Murmure”, não se está apenas a usar cabedal; está-se a usar uma visão, um saber-fazer e uma emoção contida que apenas implora para ser partilhada.
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