A PANAFRICA inaugura a sua primeira fábrica na Costa do Marfim

by | 21 Junho 2026 | Modo

Para celebrar o seu décimo aniversário, a marca de ténis ecológicos PANAFRICA, cofundada por Vulfran de Richoufftz e Hugues Didier, inaugura a sua primeira fábrica própria em Abidjan, na Costa do Marfim.
Usine Panafrica

Repensar a logística

Desde a sua criação em 2015, a PANAFRICA tem-se distinguido por um modelo de abastecimento ético, mas geograficamente disperso. As matérias-primas atravessavam várias fronteiras da África Ocidental:

  • o wax autêntico era estampado na Costa do Marfim pela UNIWAX,
  • o algodão tecido à mão provinha da cooperativa de mulheres de Mariette, no Burquina Faso
  • Os tecidos batik foram tingidos artesanalmente pela Esther no Gana.

A montagem final, por sua vez, era confiada à oficina de Hicham em Casablanca, no Marrocos. Embora fosse uma boa prática, esta dispersão geográfica impunha grandes desafios logísticos e aduaneiros. Transportar produtos semiacabados no continente africano revelava-se frequentemente mais dispendioso e complexo do que importar produtos acabados da Ásia.

A abertura da fábrica «Panafrica shoes Côte d’Ivoire» em Abidjan vem resolver estes estrangulamentos, centralizando a montagem final no próprio coração da sua zona de produção têxtil. Esta relocalização permite reduzir drasticamente a pegada de carbono da marca, ao mesmo tempo que permite conquistar eficazmente o mercado africano, que já gera 25 % das receitas globais da empresa.

Formação e reinserção através da cooperação internacional

FÁBRICA PANAFRICA na Costa do Marfim

A nova unidade de Abidjan vai além da simples função de produção, integrando um centro de formação profissional contínua. Este modelo dual tem como objetivo estruturar um setor técnico local do calçado, um segmento histórico que sofre de uma falta de formação profissional qualificada na sub-região.

Para concretizar esta vertente social, a PANAFRICA estabeleceu uma parceria com a cooperação alemã através da iniciativa «Invest for Jobs», liderada pela GIZ a pedido do Ministério Federal Alemão do Desenvolvimento (BMZ)

Graças a esta parceria, 17 pessoas afastadas do mercado de trabalho beneficiaram de uma formação intensiva com a duração de mais de um mês, antes de conseguirem um contrato estável aquando do arranque da fábrica. O programa de formação, que tem como objetivo atingir 50 postos de trabalho qualificados até dentro de dois anos, abrange tanto as competências técnicas de costura e montagem de solas como módulos de competências transversais (segurança no trabalho, gestão de resíduos e combate ao assédio).

Esta abordagem de excelência inspira-se em modelos de grande impacto implementados no continente, como o desenvolvido no Ruanda com a empresa Pink Mango Asantii, ou ainda os programas de alfabetização implementados na cooperativa do Burquina Faso, parceira da PANAFRICA.

Sinergias e economia circular no centro do hub da Costa do Marfim

A escolha da Costa do Marfim assenta também na solidez dos seus intervenientes industriais históricos. Parceira de longa data na área da impressão em cera, a UNIWAX (estabelecida em Abidjan desde 1968) garante à marca um abastecimento seguro de cera de alta qualidade, protegida contra as contrafações de baixo custo provenientes da Ásia.

Esta integração vertical abre caminho a práticas avançadas em matéria de sustentabilidade. Pioneira com o seu modelo de depósito «Arusha», em que o consumidor recebe um reembolso de 10 € ao devolver o seu par usado para reciclagem, a PANAFRICA prevê transferir estes processos de valorização de resíduos diretamente para a Costa do Marfim. Um avanço significativo para a soberania tecnológica e ambiental do setor têxtil africano.

A viragem histórica da soberania económica

O wax pan-africano

A iniciativa industrial da PANAFRICA está em profunda sintonia com as conclusões do relatório setorial «Africa Creator Economy Report 2.0 2026». Este documento salienta que as indústrias criativas africanas estão a dar um passo decisivo no sentido de um empreendedorismo soberano. A procura mundial e local pela moda africana, impulsionada pelo soft power digital, exige estruturas operacionais em grande escala.

Esta necessidade de transição do artesanato para a indústria é uma luta de longa data, frequentemente evocada por figuras lendárias como a criadora senegalesa Collé Sow Ardo. Para a «Rainha do Pagne Tecido», o principal desafio da criação africana já não é apenas desfilar em Paris ou em Nova Iorque, mas dispor de unidades de produção autónomas e eficientes em solo africano, capazes de honrar encomendas de milhares de peças.

Ao inaugurar a sua fábrica em Abidjan, a PANAFRICA demonstra que um modelo ecologicamente responsável pode ser industrializado sem perder a sua essência. Este rigor na produção e esta sólida rastreabilidade social são os fatores-chave que permitirão às marcas africanas estabelecerem-se de forma duradoura nas grandes redes de distribuição mundiais, à semelhança dos recentes sucessos das lojas pop-up nas Galeries Lafayette ou do Style Lounge Wearhouse, em Paris.

A inauguração, a realizar-se a 1 de julho de 2026, não é apenas um sucesso para a PANAFRICA, mas também traça os contornos de uma nova era industrial, em que o valor acrescentado e o know-how técnico permanecem enraizados no continente.


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