De Tananarive a Paris
Inicialmente, nada indicava que Eric Raisina se tornaria uma das principais figuras da criação têxtil africana e internacional. Criança curiosa e apaixonada pelas artes criativas em Madagáscar, ele imaginava-se, num primeiro momento, a dedicar-se à arte culinária. No entanto, a sua sensibilidade para com o vestuário manifestou-se muito cedo de forma instintiva, guiada pelo desejo de criar as suas próprias peças de roupa para se destacar.
Depois de concluir o ensino secundário, incentivado pelo seu círculo de amigos e familiares, que reconheceram o seu talento natural, participou num festival de moda e têxteis em Antananarivo. Para sua grande surpresa, a sua primeira coleção ganhou o prémio «Jovem Talento», acompanhado de uma bolsa de estudos para se mudar para Paris. Admitido nesse mesmo ano na escola de hotelaria da capital malgaxe, Eric tomou a decisão ousada de partir para França.
Estabelecido em Paris, ingressou na prestigiada École Duperré para um curso de cinco anos. Durante o seu primeiro ano de atualização, os seus professores identificaram nele um talento excecional para o trabalho com materiais, cores e texturas. Mais inclinado para o design têxtil do que para o design de moda propriamente dito, prosseguiu a sua formação na La Cambre, na Bélgica, e posteriormente no Institut Français de la Mode (IFM), em Paris, onde obteve um mestrado europeu em criação têxtil.
«Em Paris, percebi que a criação têxtil me oferecia uma liberdade infinita. Ser estilista quando se tem a capacidade de criar os próprios materiais de A a Z é uma vantagem absoluta. A minha marca foi construída em torno desta filosofia: primeiro nasce o tecido, depois vêm o volume e a peça de roupa.»
Os ateliês de Alta Costura
Durante os seus anos de estudos e logo após a conclusão da licenciatura, Eric Raisina impôs o seu estilo nas maiores casas de luxo francesas. Como freelancer e criador de esboços têxteis, colaborou com os estúdios da Yves Saint Laurent Haute Couture, nomeadamente sob a orientação de Loulou de la Falaise e de Christian Lacroix.
Naturalmente, o jovem designer tornou-se o primeiro embaixador das fibras naturais da sua ilha natal, no coração do santuário da moda parisiense. Introduziu a ráfia de Madagáscar, trabalhada em croché, nas coleções de Alta-Costura, nomeadamente através de um bustier memorável concebido para Christian Lacroix.
Esta imersão no mais alto nível de exigência artesanal reforça a sua convicção: os saberes tradicionais e o trabalho manual têm todo o seu lugar no mundo do luxo supremo.
A fusão entre a seda e o artesanato
Embora Madagáscar continue a ser o coração pulsante das suas inspirações e a fonte das suas matérias-primas preferidas (rafia, sisal, seda local), foi no Camboja que Eric Raisina decidiu criar o seu atelier, há vinte e cinco anos.
Descoberto em 1996, durante uma viagem de estudos quando ainda era estudante em Paris, o Camboja despertou no criador um verdadeiro encantamento artístico. Maravilhado com a tradição secular da tecelagem da seda nas aldeias nos arredores de Siem Reap, realizou lá um estágio em 1998, antes de decidir instalar ali os seus próprios ateliers.
«Para mim, a geografia não tem fronteiras. No Camboja, encontrei as mesmas vibrações e a mesma sensibilidade artesanal que em Madagáscar. Compro ráfia, algodão do Mali e fibras da minha ilha natal, que levo para os meus ateliers em Siem Reap para as combinar com as sedas da Ásia. É uma verdadeira «cozinha têxtil».»
A «Alta Textura» e a Slow Fashion
Alinhada com a filosofia da Slow Fashion, a marca Eric Raisina recusa a corrida desenfreada às tendências impostas pelo calendário industrial. No seu atelier-loja em Siem Reap, o designer forma pessoalmente os seus artesãos nas técnicas complexas da tecelagem manual, do tingimento vegetal, do bordado e do croché.
Cada peça é uma obra única ou produzida em micro-séries. Não é raro que as suas clientes tenham de esperar várias semanas, ou mesmo dois meses, para receberem um vestido de noite ou um casaco trabalhado em croché. Esta espera transforma o ato de comprar numa experiência íntima e exclusiva, garantindo uma intemporalidade total às criações.
A coleção de Eric Raisina destina-se principalmente às mulheres, mas também oferece peças feitas à medida para homem, bem como uma linha de acessórios de exceção (cachecóis e tecidos de seda esvoaçantes, bolsas e sacos).
Uma distribuição nómada e íntima
Embora as oficinas de Siem Reap abasteçam os hotéis de cinco estrelas do Sudeste Asiático e uma clientela privada internacional, Eric Raisina privilegia um modelo de distribuição nómada centrado no contacto pessoal.
Recusando o modelo rígido das lojas em cadeia, o criador percorre o mundo para apresentar as suas coleções em desfiles e lojas pop-up exclusivas:
- As lojas pop-up imersivas: Presente pessoalmente em cada venda temporária (como aconteceu recentemente no evento «Africa Now» nas Galeries Lafayette Paris Haussmann), acompanha as suas clientes durante as provas de roupa e conta a história de cada fibra.
- A ligação ao continente africano: Muito empenhado na renovação criativa do continente, Eric Raisina participa regularmente nos grandes eventos de moda em Dacar, Abidjan ou Lagos, celebrando o poder do saber-fazer dos afrodescendentes.
- Feiras profissionais: A marca está a preparar a sua participação na feira Tranoï, em Paris, ao mesmo tempo que dá os últimos retoques no lançamento da sua plataforma oficial de comércio eletrónico para responder à procura global.
Ao encarnar uma moda humana, paciente e livre dos ditames geográficos, Eric Raisina demonstra que a verdadeira elegância reside no respeito pelos artesãos e na poesia dos materiais excecionais.
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