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O documentário «Cabelo Afro»

Através da sua série documental «Cheveux Afro», transmitida na TV5MONDE+ e exibida na Assembleia Nacional, Rachel Kwarteng desconstrói os estereótipos capilares e devolve a dignidade às identidades afrodescendentes.


Tornar-se realizadora

Para Rachel Kwarteng, nada aconteceu por acaso. Licenciada em jornalismo e com um interesse inicial pelo formato televisivo clássico, a jovem de 30 anos deparou-se, ao terminar os estudos, com as portas fechadas das redacções tradicionais. Perante a ausência de respostas e as recusas repetidas, tomou uma decisão ousada: criar o seu próprio trabalho e impor as suas próprias narrativas.

O momento decisivo ocorreu em 2018, durante a sua própria transição capilar. Após uma má experiência com o alisamento, Rachel começou a questionar-se sobre as motivações profundas que levam tantas mulheres negras a alterar a natureza dos seus cabelos.

Ao aprofundar a reflexão sociológica, económica e histórica, ela percebe que o alisante é muito mais do que um simples produto cosmético: é o sintoma de repercussões sociais e políticas herdadas da história colonial e da escravatura.

Cinco anos de luta para concretizar uma série documental com um caráter social

Transformar uma tomada de consciência numa série documental transmitida em grande escala é um verdadeiro percurso de obstáculos. Entre 2019 e 2024, Rachel Kwarteng enfrentou vários contratempos: empresas de produção reticentes, promessas não cumpridas e preconceitos persistentes por parte dos decisores, que por vezes consideravam que o tema era «demasiado africano» ou que carecia de «figuras emblemáticas famosas».

Guiada por uma determinação inabalável e convencida de que o público anseia por estas histórias, Rachel junta-se à produtora Jairus Laloi. Graças ao apoio da bolsa CNC Talent, realizam um episódio piloto de grande impacto. Cativada pela frescura, pelo dinamismo e pelo rigor do tema, a plataforma TV5MONDE+ aceita coproduzir e transmitir a série.

«As emissoras francesas estão frequentemente a pensar em vez do seu público. Em 2024, o movimento Nappy completou 20 anos em França e ainda não havia nenhuma série documental numa emissora nacional dedicada a esta história. Era preciso contar esta história.» — Rachel Kwarteng

19 votos excecionais e um reconhecimento político sem precedentes

Exibida em abril de 2024, a série documental «Cheveux Afro» é composta por 5 episódios com uma duração de 10 a 13 minutos. O formato, decididamente moderno, combina imagens de arquivo, sequências de vida vibrantes e testemunhos comoventes.

Rachel Kwarteng reúne 19 mulheres negras e mestiças, proporcionando uma voz livre e plural. O elenco inclui personalidades públicas (a influenciadora Diddy Stone, a criadora Aïssé Ndiaye, a fundadora da Nappy de France, Clarisse Libène) e especialistas de renome, como a socióloga martinicana Juliette Smeralda, autora da obra de referência «Peau noire, cheveu crépu».

A consagração ocorre em junho de 2024. Apenas algumas semanas após a aprovação histórica, pela Assembleia Nacional, da proposta de lei que visa reconhecer e punir a discriminação capilar (apresentada pelo deputado Olivier Serva), a exposição «Cheveux Afro» é exibida no próprio coração do Palácio Bourbon.

Este choque político e cultural demonstra a força do documentário como instrumento de transformação social e de sensibilização dos decisores públicos.

Dar voz a novas narrativas

Esta entrevista fascinante ilustra a vocaçãodo Africa Fashion Tour. Enquanto primeiro podcast francófono dedicado à moda e às indústrias culturais e criativas africanas, a plataforma apresentada por Ramata Diallo vai além das representações redutoras do wax ou do boubou tradicional.

Ao dar voz a criadoras de conteúdo, designers, historiadores e realizadoras como Rachel Kwarteng, o Africa Fashion Tour afirma-se como um espaço estratégico de arquivo, de análise do setor e de afirmação do «Soft Power» africano e das suas diásporas.

Enquanto Rachel Kwarteng já prepara futuros projetos de investigação em torno das questões capilares (nomeadamente a questão das perucas e as perspetivas no continente africano), este episódio lembra-nos que a reapropriação das narrativas é o primeiro passo para a soberania cultural.


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Des histoires de mode africaine

Chaque épisode est une invitation à voyager en Afrique. Dans un monde où les algorithmes ont tendance à réduire la variété des contenus diffusés, Africa Fashion Tour veut amplifier la voix des créatifs  du continent africian. L’ambition de ce podcast est aussi de déconstruire les à priori sur la mode africaine qui ne saurait se limiter aux clichés du wax et du boubou.
Ces interviews sont des opportunités pour comprendre l’écosystème de la mode africaine et appréhender les challenges rencontrés par les professionnels du secteur. Nos petits gestes à fort impact pour donner de la force, abonnez vous, laissez un avis et partager votre épisode préféré.