Como é que o wax se tornou um símbolo de emancipação?
Há cerca de quinze anos que a controvérsia em torno do wax agita regularmente as redes sociais e os círculos da diáspora: o tecido estampado wax, originário da Indonésia e fabricado na Europa, não tem nada de originalmente africano. No entanto, esta constatação técnica ignora uma realidade sociológica e histórica.
Se a matéria-prima atravessou os oceanos, foi a perspicácia comercial das mães, avós e comerciantes da África Ocidental que conferiu a este tecido o seu valor simbólico, o seu prestígio e a sua carga emocional. Ao atribuir-lhe nomes vernáculos, ao codificar os seus motivos para os transformar em veículos de mensagens sociais e ao orquestrar redes de distribuição colossais, à semelhança das lendárias Nana Benz no Togo, estas mulheres inventaram uma verdadeira ciência do branding muito antes do seu tempo.
Perante uma produção local que mal consegue ultrapassar os 7 % nos países mais favorecidos do continente, limitar-se à rejeição pura e simples do têxtil priva as novas gerações da sua própria memória. A iniciativa lançada por Rosy Sambwa através do ciclo educativo #ParlonsMode pretende ultrapassar a dicotomia entre a fetichização e a rejeição para colocar uma questão essencial: o que fazemos hoje com as memórias, as emoções e os conhecimentos transmitidos em torno deste tecido?
Três vozes excecionais para reinventar a narrativa têxtil
Após uma primeira etapa fundadora em Bruxelas, que reuniu um psiquiatra, uma revendedora de terceira geração e uma ativista, a vertente parisiense passa à ação concreta, dando a palavra a três mulheres com perspetivas singulares:
- Krissima Poba, a ruptura através do gesto criativo: Artista visual, fotógrafa e mediadora científica, adota uma abordagem radical ao desenhar ela própria os motivos dos seus têxteis e ao conceber instalações artísticas de grande impacto. Ao reinventar o tecido a partir de dentro, ela demonstra que a soberania têxtil passa pela reapropriação do desenho e do significado.
- Justine Sow, a memória e os paradoxos nas páginas: jornalista da RTL e autora de banda desenhada, é a autora de «Wax Paradoxes». Através do texto e da ilustração, a sua obra explora as contradições, a busca pela identidade e a carga emocional de um tecido omnipresente nos lares da diáspora, mas cuja história continua a ser pouco conhecida.
- Bijou Tshiunza, o poder económico ao serviço do terreno: Executiva do setor bancário há quinze anos, fundou a Microdev, uma instituição de microcrédito dedicada ao apoio às mulheres empreendedoras na República Democrática do Congo. A sua intervenção centra o debate na realidade financeira dos mercados informais e na estruturação do capital feminino.
A experiência de Rosy Sambwa na interseção entre a investigação e a moda
Na iniciativa deste ciclo, Rosy Sambwa surge como uma figura de destaque na investigação têxtil descolonial e contemporânea. Historiadora da moda, estilista e consultora especialista reconhecida pela Organização Internacional da Francofonia (OIF), tem vindo a realizar inúmeras intervenções académicas e culturais de alto nível.
Da UNESCO à Universidade Livre de Bruxelas, passando pelo Museu das Civilizações Negras de Dacar e pelo AfricaMuseum, os seus trabalhos demonstram que o traje é um documento de arquivo político. O seu empenho visa dotar os jovens da diáspora e os profissionais das indústrias culturais e criativas (ICC) de ferramentas analíticas rigorosas para interpretar a história sem complacência nem rejeição traumática.
Uma noite envolvente que combina reflexão, loja pop-up e encontros
Concebido como um espaço de intercâmbio multidisciplinar, o encontro de sexta-feira, 2 de outubro de 2026, articula-se em torno de um formato abrangente que combina reflexão teórica, descoberta de marcas e convívio:
- 17h30 – 18h45: Abertura em ante-estreia da loja pop-up para descobrir e adquirir obras, livros e criações independentes.
- 18h30 – 19h00: Recepção dos participantes e copo de boas-vindas.
- 19h00 – 21h00: Mesa redonda moderada por Rosy Sambwa, seguida de uma sessão interativa de perguntas e respostas com o público.
- 21h00 – 23h00: Reabertura da loja pop-up, comida, bebidas, sessões de autógrafos e continuação das conversas ao vivo com as oradoras.
No que diz respeito às compras e ao estilo de vida, os visitantes poderão descobrir as criações têxteis da Banxy, os cartazes artísticos da Krissima Poba, os marcadores de livros artesanais pintados à mão pela Odewa, bem como as bebidas refrescantes da marca de bebidas naturais Kexura (sabor gengibre-ananás).
Transformar o património imaterial num motor para o futuro
O evento de 2 de outubro lembra que o valor de um tecido não reside apenas no local onde foi fiado, mas nas histórias que transporta e nas vidas que sustenta. Ao ligar o legado empresarial das Nana Benz às iniciativas atuais de microcrédito e de arte contemporânea, este evento demonstra que a moda africana conquista a sua soberania quando assume a complexidade da sua história para construir os seus próprios modelos económicos.
Informações práticas:
- Data: sexta-feira, 2 de outubro de 2026, das 17h30 às 23h00.
- Local: 25hours Hotel Paris Terminus Nord, 12 Boulevard de Denain, 75010 Paris.
- Acesso: Metro e RER na Estação Gare du Nord.
- Preço: 55 € (inclui o acesso à conferência, o copo de boas-vindas e o acesso exclusivo à loja pop-up).
- Reservas: Bilheteira oficial online
Ler também



